Posicionamento da marca e o ativismo no branding

Um jovem negro de 19 anos foi estrangulado até a morte em um supermercado no Rio de Janeiro. Não foi qualquer supermercado. Foi um Extra - uma das maiores redes do Brasil.  

Uma semana antes, Donata Meirelles, diretora da Vogue Brasil e esposa de Nizan Guanaes, um dos maiores comunicadores do país, fez a sua festa temática em Salvador virar o centro de um debate muito sério sobre racismo estrutural. Esses são os tempos em que vivemos. São as nossas vidas, são as nossas opiniões e as marcas não podem mais ficar distantes disso. 

Que falta faz a coragem do Olivero Toscani. 


Benetton: uma marca de conteúdo.


Poucas vezes se viu uma sinergia tão marcante quanto a Benetton e a personalidade de Toscani nos anos 80 e 90. Antes de Toscani a publicidade era um lugar habitado apenas pela felicidade e perfeição de um mundo sem problemas. O polêmico fotógrafo transformou esse universo em uma ferramenta capaz de expor a realidade cruel da sociedade e seus esqueletos no armário. Nenhum tema foi poupado pela dupla Benetton e Toscani. Racismo, Aids, guerra, homofobia, religião e política. O italiano fez guerrilha quando nem existia a internet. Mudou o Branding antes mesmo do termo cair nas graças dos publicitários. A estratégia continua sendo, até hoje, a mais corajosa e a que mais divide opiniões.


O exemplo de Toscani reverbera até hoje


O ativismo ganha cada vez mais espaço nas ações de branding. Marcas como Skol, Boticário e Avon já entenderam seu papel de propagar ideais na tentativa de transformar o comportamento da sociedade. Recentemente a Gilette causou polêmica ao tratar da masculinidade tóxica em um de seus comerciais. O Vídeo ganhou um número inacreditável de hates e dividiu opiniões em um mundo bastante dividido. Não existe volta depois do que Toscani fez. As marcas precisam se posicionar, precisam agir rapidamente depois de cometerem algum erro. As pessoas passam 70% de seu tempo nas redes, opinando, refletindo, propagando ideias. As pessoas estão mais conscientes. Não existe mais espaço para uma marca fazer uso de trabalho escravo sem que haja consequências, não existe espaço para cartazes machistas em pleno carnaval. O mundo mudou e a internet é um imenso lugar de fala. 


Não é sobre vender e sim falar a coisa certa.


O marketing de conteúdo é o caminho que todas as marcas devem trilhar. Não há dúvidas. Todas elas geram seu próprio volume de informação e fidelizam seu público. Agora, a marca mostrar que tem uma opinião é algo totalmente diferente. Existem muitos grupos organizados que prestam assessoria na área do marketing para que as empresas não cometam o erro de serem mal interpretadas. A inclusão, o respeito e o bom exemplo são diretrizes cada vez mais presentes nos planejamentos de conteúdo. Mudar o posicionamento da marca é muito mais que mudar suas cores ou sua linguagem para atingir o publico X,Y ou Z. É fazer a marca se posicionar sobre determinado tema.  Dizer a coisa certa, no momento certo tem mais valor para a marca que vender a qualquer custo. “As roupas vendem sozinhas”dizia Toscani. Vender um produto é fácil. Mudar o mundo é mais difícil.  


A sua marca está preparada para mudar? 

Toscani, Benetton, Gillete e Donata Meirelles

campanha de Toscani para a Benetton

Using Format